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5 coisas que aprendi no ano que li 74 livros

Oi, gente! Ainda dá tempo de desejar Feliz Ano Novo? O primeiro post de 2018 vem sendo gestado desde que o ano é ano, já que 2017 se mostrou revolucionário na forma que encaro a leitura enquanto hábito, prazer, lazer e até estilo de vida. O que aprendi nesse ano em que li 74 livros?

#1 – Um número é só um número

No início de 2017, estabeleci que leria 52 livros, um por semana. No fim das contas, li 74. O que isso significa? Absolutamente nada. Não me faz melhor do que ninguém enquanto pessoa, muito menos como leitora. O máximo que pode dizer é que em 2017 dediquei um tempo considerável dos meus dias à leitura, mas reflete apenas quantidade e não qualidade. Você não tem como saber se eu pulei os parágrafos de descrição, se li apenas os diálogos, se li todos os contos daquela coletânea, nem mesmo se essas 74 escolhas de leitura foram boas. Antes ler 12 bons livros em um ano, um por mês, ao seu ritmo, ao seu gosto, ao seu contexto, ao que te agrada naquele momento que você vive, do que ler 100 que não façam a menor diferença na sua existência.

#2 – Não adianta ler uma biblioteca e não lembrar de nenhuma página

Ao analisar a lista dos lidos no ano que passou, percebi que muitos dos que constavam na pilha eu não lembrava de ter lido em 2017 ou, pior ainda, de ter lido na vida! Alguns precisaram de um certo esforço para que eu pudesse recordar algo sobre a trama ou os personagens. Como não foi algo que aconteceu com apenas um ou dois, supus que o problema pudesse ser uma mistura tanto de uma história que não tenha de fato me atraído ou me marcado, como também da leitura apressada, desinteressada e dinâmica que muito pratiquei e da qual me arrependo.

Eu acredito firmemente que há momentos certos para a leitura de determinados livros e que as mudanças de contexto pessoal promovem novas percepções sobre histórias já conhecidas. Talvez algumas das escolhas de títulos que eu fiz em 2017 foram precipitadas e não era a hora certa de terem chegado às minhas mãos. Talvez outras não tenham me interessado desde o começo, mas eu insisti apenas para marcar aquela tarefa como concluída. Talvez eu tenha chegado a um ponto de mecanizar tanto a leitura que apenas passava de um para o outro como se fosse uma personagem de Tempos Modernos. E nada disso é justo.

#3 – Metas e desafios podem desestimular também

Lidos em 2017

Em 2017 também aderi a alguns desafios e estipulei algumas metas de leitura. No começo estava dando tudo certo até que chegou o dia em que eu quis escolher algo para ler e, em detrimento do que eu gostaria de ler, eu optei por algo que eu precisava ler. Fosse para bater uma meta, para honrar a parceria, para participar de um desafio, a questão é que eu transformei algo prazeroso numa obrigação que me deixava frustrada, cansada e às vezes irritada. E isso me levou a refletir o quão distorcido o meu hábito de leitora estava.

#4 – Não é porque você terminou um livro hoje que precisa começar outro amanhã

Como eu passei a repetir: “deixe a história assentar”. Alguns livros são tão complexos (oi, O Conto da Aia), outros tão pesados (oi de novo, O Conto da Aia), uns tão importantes (oi, O Conto da Aia!!!), que chega a ser desrespeitoso pular para o próximo da fila como se nada tivesse acontecido.

Não quero dizer com isso que você precise estipular um cronograma de leituras, reflexões e análises. Não é pecado emendar uma leitura atrás da outra, a não ser que isso torne as histórias descartáveis. Mas permita-se permanecer naquele mundo, com aqueles personagens, naquela trama, mesmo depois da última página. Depois de grandes viagens em que imergimos em lugares alheios à nossa vida rotineira, levamos um tempo para nos encaixarmos novamente no nosso dia a dia, nas pessoas e ações cotidianas. Escolha alguns livros para encarar como um jet leg após uma eurotrip.

#5 – Respeito é fundamental: ler é tudo, mas não precisa ser tudo sempre

Respeito a você enquanto leitor, respeito ao livro enquanto narrativa, respeito ao autor enquanto artista. Muitas e muitas e muitas vezes me peguei pensando em 2017: “tenho esse tempo livre, então eu deveria ler”. Sentia peso na consciência por não resistir ao cansaço e dormir no ônibus, em vez de ler; de passar horas vendo séries na Netflix, em vez de ler; de brincar com o cachorro, de me atualizar do mundo, de jogar conversa fora pelo WhatsApp em vez de ler. Comecei a associar a leitura a cobranças, metas, compromissos e isso aos poucos começou a me afastar daquilo que eu mais amava fazer. E isso não é certo!

A leitura deve ser um ato voluntário de amor e de entrega. Se você não está pronto, se você não quer, se você não está no clima, não faça, não force. Eu garanto a você que, quando o coração está aberto e a mente está tranquila, tudo flui com naturalidade e, acima de tudo, com verdade.

2 thoughts on “5 coisas que aprendi no ano que li 74 livros”

  1. Amei o texto. É muito bom olhar pra trás e pensar em quantos livros leu, se for uma quantidade enorme aí sim dá aquele orgulho. Mas realmente, parar para pensar e perceber que não adiantou tantos números se não lembra nem que leu aquele livro, meio que perde o brilho. Eu esperava ler muito mais esse ano do. Que o ano passado e por isso acabei me forçando a terminar um livro que comecei que é muito chato. Tô lendo um agora que preciso me esforçar para separar um tempo para ler, porque também é meio chato, acho que porque já o comprei faz muito tempo e não é mais bem o tipo de leitura que me interessa, mas o peguei para ler porque é rápido, porque queria fazer o número de leituras do ano crescer. Esse texto me fez parar para pensar sobre isso.

    1. Oi, Aline! Que bom que te fez refletir, era exatamente essa a intenção. Fico feliz! Leitura é pra ser um ato voluntário. Se você se sente forçada ou obrigada a ler, seja por qual for o motivo, o propósito se perde.

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