listas livros

8 livros escritos originalmente em português

O Dia da Língua Portuguesa é comemorado em 10 de junho, uma lembrança ao dia em que morreu Luís de Camões, um dos maiores poetas e escritores do idioma lusitano e autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”. A comunidade de países e povos que partilham a bela língua portuguesa como idioma oficial, seja ele primário ou não, hoje engloba nove nações. Por isso, a lista de hoje traz oito livros escritos originalmente em português, cada um de um ponto diferente do planeta.

Angola: “Os Transparentes” (Ondjaki)

Os protagonistas de Os transparentes são pessoas simples, habitantes da cidade de Luanda que vivem e compartilham seus afetos e suas memórias. São personagens surpreendentes, ricos em complexidade humana, que desejam, choram, festejam, lutam e fantasiam. Em histórias íntimas e coletivas, problemas individuais e familiares traçam um painel de uma Angola cheia de contrastes, vivendo a transição muitas vezes difícil entre a cultura arraigada e a chegada do novo.

O poeta e escritor africano Ndalu de Almeida, popularmente conhecido como Ondjaki, nasceu em 1977 em Luanda, metrópole e capital angolana. Após realizar seus primeiros estudos na sua terra natal, obtém a licenciatura em Sociologia na capital portuguesa.

Compre aqui

Brasil: “Grande Sertão: Veredas” (Guimarães Rosa)

Nesta obra, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa. Encontramos aqui dimensões universais da condição humana – o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria – retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim.

Compre aqui

Cabo Verde: “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo” (Germano Almeida)

Quando morreu, o Sr. Napumoceno era um conceituado comerciante do Mindelo. A reputação da sua casa comercial tinha uma correspondência perfeita na sua reputação pessoal – bom, íntegro, sério, sem vícios, rico e respeitado. Mas a leitura das centenas de páginas do seu testamento lançou uma nova luz sobre a vida e a pessoa do ilustre extinto. Página a página, o leitor vai assistindo à construção de uma personagem fascinante, rica, complexa, contraditória, fortemente enquadrada no pano de fundo que é a sociedade cabo-verdiana.

Germano Almeida nasceu em Boa Vista em 1945. Seus romances caracterizam-se por usar as armas do humor e da sátira para denunciar a duplicidade hipócrita da sociedade cabo-verdiana, asfixiada durante os primeiros anos de independência por um regime de partido único. Compre aqui

Guiné-Bissau: “A Última Tragédia” (Abdulai Sila)

Ndani deixa sua aldeia para buscar uma vida melhor na capital, encontrando trabalho como empregada doméstica para uma família portuguesa. A senhora da casa, dona Deolinda, embarca em uma missão para salvar a alma de Ndani através de ensinamentos religiosos, mas patrão tem intenções menos justas. Ndani é expulsa e volta para a sua casa, onde se torna a esposa de um chefe de aldeia. Ele construiu uma mansão e uma escola para exibir seu poder ao administrador português local, mas abandona Ndani quando descobre que ela não é virgem. Ela finalmente encontra amor com o professoro da escola, mas em tempos tumultuados, construir um futuro com um homem negro educado envolve uma série de obstáculos.

Abdulai Silá é uma das mais destacadas vozes da literatura guineense contemporânea e iniciador de uma corrente ficcional original, sendo autor do que é considerado o primeiro romance guineense, Eterna Paixão (1994). Compre aqui

Moçambique: “Niketche: Uma História de Poligamia” (Paulina Chiziane)

Certo dia, Rami descobre que o marido, um alto funcionário da polícia com quem é casada há 20 anos, é polígamo: tem outras quatro mulheres e vários filhos. Numa decisão surpreendente, ela decide ir atrás das outras esposas. O romance retrata sua busca como uma incursão pelo desconhecido e uma tentativa de lidar com a diferença, simbolizada pelas amantes do marido. Niketche é uma das danças do norte de Moçambique, extremo oposto de onde mora Rami. Ritual de amor e erotismo, a dança é desempenhada pelas meninas durante cerimônias de iniciação.

Negra de origem humilde, Paulina Chiziane teve de percorrer um longo caminho até se firmar como escritora. Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, a autora faz uma literatura ligada às suas raízes culturais, abordando temas femininos num país em que a atividade é exercida quase em sua totalidade por homens. Compre aqui

Portugal: “Desamparo” (Inês Pedrosa)

A saga de uma mulher que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos 3 anos e regressa a Portugal para a conhecer mais de meio século depois. Com uma escrita inteligente e repleta de humor, Inês Pedrosa cria um universo singular, num típico povoado português, em que se cruzam vidas de vários continentes. Entre emigrações e imigrações de ontem e hoje, entre duas culturas mais que interligadas, seres solitários e escorraçados procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à depressão econômica. Com um enredo cheio de força e originalidade, este livro é atravessado por temas como amor, família, traição, poder, inveja, medo, vingança e, sobretudo, pela constante presença da morte. A partir da saga de Jacinta, temos, nestas páginas, a história recente do Brasil e de Portugal, dando corpo a um conjunto de personagens inesquecíveis. Compre aqui

Um adendo: Eu poderia ser mainstream e indicar José Saramago, ser clássica e indicar Fernando Pessoa, ser cult e indicar Valter Hugo Mãe. Mas a pesquisa para esse post me trouxe tantos nomes novos, pelo menos para mim e as minhas leituras até este momento, que decidi tomar outros caminhos.

São Tomé e Príncipe: “A Dolorosa Raiz do Micondó” (Conceição Lima)

Nesta coletânea de 27 poemas da poetisa são-tomense Conceição Lima, o micondó, árvore considerada sagrada em diversas regiões da África, simboliza origem, casa, morada ancestral. A evocação de tais raízes é dolorosa devido a acontecimentos históricos, como a escravidão e a colonização, que imprimiram profundas feridas e rupturas na identidade nacional, e na própria poetisa, cujos antepassados foram trazidos à força para o arquipélago africano e mais tarde enviados para outras terras como escravos. Íntima, pessoal e sofrida, a poesia de Conceição Lima é também dotada de um lirismo e esteticismo sublimes, presenteados aqui pela primeira vez ao público brasileiro. Embora a dor seja uma constante em seus versos, o sentimento que os perpassa é o da sutil esperança de que a mesma memória que resgata os fatos traumáticos ajude a fazer germinar algo novo dos escombros, como o micondó que, com suas profundas raízes e frondosa copa, fez florescer o alfabeto poético de Conceição Lima. Compre aqui

Timor-Leste: “Crónica de uma Travessia” (Luís Cardoso)

Romance autobiográfico que acrescenta uma dimensão inédita ao combate pela liberdade de Timor.Livro de viagem, autobiografia e romance, Crónica de Uma Travessia transmite o encanto exótico de um lugar remoto e desconhecido, um pedaço da Ásia que teimosamente quer preservar as características essenciais da cultura europeia com a qual esteve em contacto, apesar da enorme distância e do massacre que dura desde a invasão indonésia de 1975. Com uma escrita lírica, fluida, rica em imagens poéticas, capaz de transmitir sensações, cores e situações melhor do que qualquer reportagem de viagens, Crónica de Uma Travessia é uma leitura inesquecível. Compre aqui

1 thought on “8 livros escritos originalmente em português”

  1. Língua maravilhosa.
    Algumas dessas obras foram leituras obrigatórias no meu período do ensino médio.
    Pena que eles estimulam (pelo menos na minha época era assim) a ler como condição: Se quer passar de ano, tem que ler isso.. E isso desmotiva e a pessoa acaba lendo sem dar atenção pra detalhes tão importantes, né? =/

Deixe uma resposta