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Resenha de Quinta: O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)

Seu planeta vai ser demolido para a construção de uma via expressa intergaláctica? Agarre sua toalha e não entre em pânico! 

O Guia do Mochileiro das Galáxias é, provavelmente, o livro mais sem sentido e engraçado que eu já li até agora. Ao pé da letra, ele é classificado como ficção científica, embora a comédia e principalmente a sátira deem o tom mirabolante, alucinado e caleidoscópico dos cinco livros que compõem essa trilogia (sim, é isso mesmo).

Arthur Dent é um britânico comum até demais. Em uma fatídica quinta-feira, descobre que um erro burocrático o impediu de tomar conhecimento que a prefeitura de sua cidade autorizou a demolição de sua casa para a construção de uma via expressa no mesmo ponto. Enquanto esbraveja contra os operários e tenta impedir esse desastre pessoal, Arthur é interrompido por notícias ainda mais surpreendentes de seu amigo, Ford Prefect. Não apenas ele lhe revela que não é um ator desempregado, mas sim um E.T. disfarçado que fazia pesquisa de campo para a nova edição do o melhor guia de viagens interplanetário, o Guia do Mochileiro das Galáxias, como também alerta que a Terra inteira também está prestes a ser destruída. 

Graças aos conhecimentos de Prefect e às dicas do próprio Guia, os dois escapam da tragédia pegando carona em uma nave alienígena, mas acabam se envolvendo em desventuras, confusões e intrigas tão mirabolantes que deixariam a Sessão da Tarde no chão. Os amigos se juntam a Zaphod Beeblebrox, o imprevisível Presidente da Galáxia que roubou uma nave poderosíssima durante a cerimônia de inauguração; Trillian, uma humana que por sorte conheceu Zaphod disfarçado na Terra e fugiu com ele duas semanas antes do planeta explodir; e Marvin, o Andróide Paranóide, um robô inteligentíssimo e depressivo que detesta todas as formas de vida orgânica.

Mestre da sátira, Douglas Adams criou personagens e situações excêntricas para debochar de estruturas, instituições e comportamentos sociais, além de zombar das pessoas em si e do nosso absoluto desconhecimento em relação ao universo. Abusando do absurdo e do hiperbólico, o autor construiu narrativas não lineares e muitas vezes confusas; não é raro reler o parágrafo várias vezes para tentar entender o que está acontecendo, já que os eventos se dão na velocidade da luz, ou mesmo para encontrar onde você se perdeu dentro de tantas referências esquisitas e histórias paralelas. Confesso que em alguns trechos eu simplesmente desisti: é do pressuposto do livro que há uma efervescência tão grande em curso que não há necessidade alguma de que você de fato compreenda minuto a minuto o que está se passando.

Apesar desses momentos caóticos alucinantes (ou alucinógenos), a crítica social é abundante e viva. Você pode até se perder nas viagens no tempo e no espaço ou se confundir entre distintas raças alienígenas de nomes extensos e impronunciáveis, mas as cutucadas mordazes e irônicas à burocracia ou ao sistema de representação política são tão notórias quanto uma nave extraterrestre se materializando em um campo de críquete.

Resumindo: é um fato bem conhecido que todos que querem governar as outras pessoas são, por isso mesmo, os menos indicados para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se tornar presidente não deveria, em hipótese alguma, ter permissão para exercer o cargo. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.

É justo ressaltar que a obra de Douglas Adams não vai agradar a todos, nem mesmo aos nerds. É absolutamente compreensível ter uma opinião dividida entre gostar ao ponto de gargalhar das sacadas geniais, das tiradas brilhantes ou mesmo do absurdo verborrágico fruto de uma imaginação borbulhante e detestar ao ponto de dormir ou se arrastar por semanas para terminar um livro de menos de 200 páginas por conta desse fluxo descontínuo, de informações desnecessárias e de círculos narrativos que levam a lugar nenhum. Apesar do conflito, lembre sempre: não entre em pânico!

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Toda quinta uma resenha!

3 thoughts on “Resenha de Quinta: O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)”

  1. Toda vez que encontro uma resenha da série me dá uma coisa que não sei explicar, mas quero reler tudo hauhauhauhauhauhauhauha.. Douglas Adams foi um cara maravilhoso e que merecia ter vivido MUITO mais <3

  2. Nossa, eu confesso que não conhecia esses livros e minha amiga ao saber disso quase me bateu. Mas no meu aniver fez questão de me dar os livros todos da série. Eu li e agora entendo as referências e sei o que quer dizer o bendito “42”… kkkkkkk
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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