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7 livros brasileiros que deveríamos ler na escola

Além de ser o dia do trabalhador, 1º de maio também é o dia da literatura brasileira. A data foi escolhida em homenagem ao cearense José de Alencar, expoente do Romantismo nacional e autor de obras que você pode até não ter lido, mas pelo menos ouviu falar, como Iracema, O Guarani Senhora.

É na escola que aqueles que não tem famílias leitoras têm o primeiro contato com a literatura. O que poderia ser um momento mágico de abertura e descobertas muitas vezes é um encontro traumático sem direito a segunda chance. Isso porque as leituras escolares em geral são orientadas para acompanhar o estudo de gêneros ou movimentos literários cujos temas, formatos e linguagem estão a literalmente séculos de distância das crianças e adolescentes obrigados a conhecê-las.

Não quero aqui dizer que deveríamos parar de ler Machado de Assis na escola porque ele é um autor essencial para compreendermos nosso país e nossa literatura, além de ser um excelente escritor (o que percebemos assim que temos uma certa maturidade para processar o contexto em que ele escreveu); contudo, precisamos entender que o distanciamento – temporal, geográfico, etário – dificulta a identificação do leitor seja com a história em si, seja com seus personagens, principalmente quando ainda não temos o hábito da leitura.

Pensando nisso, selecionei alguns livros brasileiros, alguns contemporâneos e outros não, que poderiam integrar nossos currículos escolares como uma porta de entrada sem traumas para a literatura nacional.

Auto da Compadecida – Ariano Suassuna

Auto da compadecida é uma peça teatral em forma de auto, um gênero da literatura que trabalha com elementos cômicos e tem intenção moralizadora. O drama nordestino criado pelo paraibano Ariano Suassuna contém elementos da literatura de cordel e trabalha com a linguagem oral, apresentando o regionalismo através da caracterização do Nordeste. A peça trata, de maneira leve e bem humorada, do drama vivido pelo povo nordestino: acuado pela seca, atormentado pelo medo da fome e em constante luta contra a miséria.

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Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva

Publicado originalmente em 1982, este livro é um relato do acidente que deixou Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, poucos dias antes do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de Feliz Ano Velho. Apesar do tema trágico, ‘Feliz Ano Velho’ tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e fantasias sexuais.

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Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus

O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem a este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos. Em sua narrativa, Carolina descreve a dor, o sofrimento, a fome e as angústias dos favelados. Seu texto é considerado um dos marcos da escrita feminina no Brasil.

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Capitães da Areia – Jorge Amado

Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca.

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Ventania – Alcione Araújo

Um amor improvável em meio a livros e desesperança. Na pequena Ventania, o chefe da estação de trens cai de paixão pela bela bibliotecária Lorena Krull, mulher exótica e moderna que espalha literatura e charme pelas estantes pouco visitadas de seu reino de letras. E é em meio aos empoeirados livros que Philadelpho renasce para a vida após amargar a perda de uma perna num acidente ferroviário. Com a esperança de conquistar sua Dulcinéia. esse Quixote contemporâneo avança sobre os moinhos de vento da inspiração incerta e procura se tornar digno da amada. Em frases escritas às pressas à lápis, ele começa a carreira de escritor e passa a catalogar o que vê de sua plataforma. A cada episódio contado, a cada livro consultado, cada aventura vivida pelos diálogos de outro, ele sente sua muleta sumir.

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Dois Irmãos – Milton Hatoum

Dois Irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

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Eu Receberia As Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios – Marçal Aquino

No momento em que começa a narrar os fatos de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará prestes a ser palco de uma nova corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo – mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas: a história de Chang, fotógrafo morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que tirou Lavínia das ruas e das drogas no passado. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos.

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3 thoughts on “7 livros brasileiros que deveríamos ler na escola”

  1. Olá!
    Que post rico de cultura brasileira! Realmente, são livros que todos deveriam ler, seja na escola ou não…
    Desses eu só li dois, o resto ainda pretendo ler logo!
    Capitãs da Areia fiz um trabalho na faculdade, adorei escrevê-lo!

    Beijo, beijos
    relicariodehistoriasma.blogspot.com.br

  2. Post maravilhoso e inspirador. Alguns aí eu realmente nem conhecia. Ariano Suassuna e Capitões da Areia chegaram a ser estudados por cima no meu ensino médio, porém o pouco tempo o ano letivo não deu brecha para lê-los.Tenho gosto por leitura pelo meu pai, e tem muitos clássicos brasileiros aqui em casa, só eu que nunca peguei pra ler muitos mesmo #shameonme. Vou até perguntar dos que eu não conhecia para ele.

    Bites!

    1. Desses que coloquei, somente Capitães da Areia eu cheguei a ler por exigência escolar, embora na época já tenha sido uma releitura pra mim. Nem todos dessa lista são clássicos, mas na minha concepção de leitora, o período escolar é o ideal para semear o amor pela literatura e muitas vezes essa chance é desperdiçada porque adolescentes com pouca maturidade ou experiência literária são forçados a ler obras muito difíceis com as quais não conseguem se identificar. Esses são livros capazes de despertar, no mínimo, a curiosidade pela leitura.

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