evento opinião quadrinhos

Eu fui: Comic Con Experience Tour Recife 2017

Foi épico! Ou, melhor dizendo, foi arretado! A primeira Comic Con brasileira realizada fora de São Paulo conseguiu manter a qualidade apresentada em suas edições anteriores, ainda que tenha trazido ao Nordeste uma versão mais enxuta de si mesma. 

De acordo com a produção do evento, 54 mil pessoas aproveitaram os quatro dias de programação, realizada de 13 a 16 de abril no Centro de Convenções de Pernambuco. Se o número superou as expectativas da organização, isso eu já não sei dizer; o que posso afirmar é que o público nordestino correspondeu, pelo menos qualitativamente falando. O calor não se mostrou somente nos termômetros do Recife (ainda que não tenha dado trégua em momento algum, trazendo inclusive momentos de incômodo e suor no pavilhão): a reação apaixonada aos painéis, a participação empolgada nos stands, as conversas animadas nos corredores demonstraram que o Nordeste tem um potencial enorme e ainda a ser explorado em eventos de cultura pop, nerd e geek.

Painéis

Elenco de 13 Reasons Why no painel da Netflix (Foto: Divulgação)

Pelo caráter de experiência piloto dessa proposta itinerante, é compreensível que a programação, principalmente dos painéis, seja mais humilde em comparação à de São Paulo. A agenda do auditório principal não era tão apertada e atribulada, com atrações imperdíveis a todos os momentos, e isso não é ruim! Pelo contrário! Os intervalos entre algo muito atrativo a todos os participantes, como um painel da Marvel, e outro mais de nicho, como as ações da Twitch, tornam a experiência diária mais fácil e agradável. Mas por quê? Porque eu não preciso madrugar todos os dias na fila para conseguir um lugar no auditório, posso me dar “ao luxo” de chegar mais tarde em um dia que esteja mais cansada ou até mesmo fazer de novo o que já gostei.

Entendo que pode ter sido decepcionante para quem esperava atrações do mesmo nível da CCXP de SP, mas é preciso entender o contexto em que essa edição específica se realizou. Acredito que as presenças de Carlos Villagrán (Quico de Chaves), Kevin Sussman (Stuart de The Big Bang Theory), Miguel Ángel Silvestre (Lito de Sense8), Finn Jones (Loras Tyrell de Game of Thrones e Danny Rand de Punho de Ferro), Brandon Flynn, Alisha Boe e Christian Navarro (Justin, Jessica e Tony de 13 Reasons Why), Richard Speight Jr. (arcanjo Gabriel de Supernatural) e Claudia Wells (Jennifer Parker em De volta para o futuro) já demonstram a força dessa primeira edição e a potência para as próximas. Porém, eu ainda estou frustrada com o cancelamento do Alexander Ludwig, o Björn Ironside de Vikings, primeira atração confirmada ainda no anúncio em dezembro de 2016.

Stands

Foto: Luiza Carolina Figueiredo

Por ser a primeira vez fora de São Paulo, tudo é um risco, tudo é um teste. Essa pode ser a justificativa para a ausência de muitos dos grandes stands e lojas; era nítido o quanto havia espaços ociosos que poderiam ter sido preenchidos por lojas como a oficial de Harry Potter ou pela Hasbro, que tanto movimentaram a edição anterior a esta. Por outro lado, essas lacunas possibilitaram uma facilidade maior de acesso e de deslocamento dentro do evento e, quando se pensa na quantidade de pessoas presentes diariamente, principalmente no sábado, esse espaço vazio é muito valioso.

O fato é que, a despeito disso, aqueles que acreditaram e compareceram não vislumbraram um instante sequer de descanso: a todo segundo havia filas para interagir nos stands da Turma da Mônica, onde o trono de Sansão manteve o sucesso, da Warner, principalmente graças às mochilas extremamente úteis durante o evento ofertadas como brindes, e da Netflix, com espaços específicos para suas séries originais, como jogo da memória com as lâmpadas na parede de Stranger Things, montagem de cubos como na prova de 3% e um karaokê com músicas marcantes das produções, sendo a mais popular What’s Up que embalou Sense8.

Artist’s Alley

Arte da Hermione que vendeu meu coração para a Júlia Pinto (Foto: Luiza Carolina Figueiredo)

Uma das melhores coisas de participar de um evento como a Comic Con Experience é ter a oportunidade de conhecer gente talentosa na Artist’s Alley. Historicamente uma das seções mais movimentadas, é um espaço para que quadrinistas independentes apresentem seus trabalhos e também para aqueles que atuam nas grandes editoras possam interagir com seu público e vender prints, sketchbooks, artes originais e outros materiais. O Beco dos Artistas na CCXP Tour de Recife trouxe 185 nomes, dentre eles muitos nordestinos. Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco tiveram uma participação expressiva na feira.

O grande gargalo foi a localização do setor dentro do evento; em São Paulo, a Alley costuma literalmente ser e estar ao centro e tudo converge para lá. Em Recife, os artistas foram alocados no mezanino e, assim, fora do eixo de circulação dos stands, perdendo a chance de serem visitados pelos participantes que desconheciam a existência da seção. O intuito foi bom, porque o mezanino era o caminho inevitável para os auditórios; porém, há de se considerar que nem todos que frequentam a CCXP priorizam os painéis, principalmente se não tiverem credencial para todos os dias. Além disso, a depender do ponto em que estivesse localizado, o expositor passaria o dia inteiro pingando de suor.

O evento

Foto: Divulgação

Talvez pelo tamanho reduzido ou por ter aprendido com as edições passadas, mas considerei a CCXP Tour melhor organizada do que a CCXP tradicional de São Paulo. As credenciais foram conferidas na entrada com os documentos de identidade, os livros doados pela meia social foram armazenados com cuidado, a fila do auditório era separada da fila do pavilhão, com direito à pulseira para manter o controle. Não presenciei confusão ou tumulto em momento algum.

Foi encantador e gratificante ver famílias participando juntas. Pais e filhos, crianças e adultos, às vezes até com cosplays combinando! É tempo de inclusão, de acolhimento: uma ótima época para ser nerd. Para mim, o saldo da CCXP Tour Recife 2017 é muito positivo (com exceção da minha conta bancária, pois sofri um desfalque oriundo de um completo descontrole financeiro depois de visitar a Artist’s Alley). Que a itinerância chegue a outras regiões, mas, se possível, que também volte sempre ao Nordeste, essa terra de corações e termômetros quentes e apaixonados por cultura pop.

13 thoughts on “Eu fui: Comic Con Experience Tour Recife 2017”

  1. A CCXP-SP foi uma das melhores experiências que tive! Fui pela primeira vez ano passado, apenas um dia, e fiquei no painel. Mesmo não vendo a feira toda durante o dia, ainda deu tempo de sair e dar uma passeadinha. Foi tão bom e mágico! Queria muito poder ir esse ano também, vamos ver como vai ser em relação à grana né? Porque tenho que viajar pra ir. Fiquei bem satisfeita de terem feito uma no Nordeste porque sei como é difícil e caro o pessoal daí ir pra SP… 🙁
    A tendência agora é a feira crescer já que eles viram o sucesso que foi <3
    Espero que tudo só melhore!

    http://www.papodefangirl.com.br

  2. My god! *O*… Eu preciso ir na CCXP, eu nunca fui em uma! Esse ano tenho que pelo menos ir um dia! O foda é que moro em Brasília e ai é tenso mano! Vou arrumar uma caravana e ai vou!

    Até mais! O/
    Karolini Barbara

  3. Acho que eu iria preferir essa do que a versão paulista.
    Menos gente. Menos fila.
    Gosto de ver os eventos de cultura pop crescendo, mas ainda tenho meus problemas com multidões.
    Um dia, quando deixar de ser pobre e miserável, eu vou. Um dia

  4. Miga, na boa. A cada vez que rola esse evento, eu tenho mais certeza de que ele é 99% Netflix e 1% do resto. Sabe-se lá com quanto $$$ a Netflix entra nos eventos, mas sério… chega dá uma dor de tentar ver uma cobertura no Omelete e outros grandes canais e só ver Netflix. O que é bom, mas né, calma lá, tem tanta coisa boa que também merece destaque…

  5. Queria muito ter ido a edição nordeste, imagino que estava mais vazio e daria pra aproveitar muito mais do que aqui em SP.
    Eu sou uma fã de carteirinha da Artist’s Alley, acabo passado 50% do meu dia nesses corredores comprando coisas e conversando com os artistas, amo!

    Quem sabe ano que vem o orçamento permite participar das duas. HAHAHA

  6. Achei muito legal fazerem um evento desse tipo em um lugar que não seja São Paulo ou Rio de Janeiro, porque né, as vezes parece que no Brasil só tem São Paulo e Rio de Janeiro (e olha que eu moro em SP).
    O evento em si parece que foi ótimo, queria ter estado lá, com certeza.
    Gostei do post, ficou bastante completo 🙂

  7. Estava louca para ir, mas acabou que a distancia dificultou um pouco. Adoro eventos de cultura pop, acabo me realizando e literalmente falindo (rsrs). Adorei seu post, pois me deu aquela sensação de estar dentro do evento. Quem sabe um dia der certo, enquanto isso me contento com o Sana. ^-^

  8. Nossa, toda essa “tranquilidade” que você falou do evento é basicamente o meu sonho. Eu NÃO tenho paciência pra muvuca que é aqui em SP, a galera realmente madrugando na fila e os estandes mais lotados do que o pessoal achava possível. Adoraria uma versão mais humilde e relax da Comic Con pra chamar de minha, hahaha. E parece ter sido um passeio muito mais tranquilo para famílias!! Tenho certeza que foi sensacional <3
    http://www.sentimentaligrafia.com.br

  9. Eu ia dizer que não é a primeira comic con fora de SP porque sempre tem aqui no meu estado (RS), mas lendo o post, vejo que não se compara a essa aí hausihdia. Quantos artistas! Deve ter sido muito legal e, como o pessoal comentou, mais tranquila do que a edição paulista. Adorei o post!

    Beijos, Vickawaii
    http://www.neverland.com.br

Deixe uma resposta