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7 autoras contemporâneas para conhecer

A literatura está aberta a todos. (…) Tranque as bibliotecas, se quiser; mas não há portões, nem fechaduras, nem cadeados com os quais você conseguirá trancar a liberdade do meu pensamento. (Virginia Woolf)

As palavras de Virginia em Um Teto Todo Seu ainda ecoam, quase um século depois de sua publicação. Quase cem anos se passaram, mas a literatura produzida por mulheres ainda encontra portões, fechaduras e cadeados. Há barreiras de naturezas editorial, mercadológica, simbólica e cultural que felizmente começam a encontrar mais gente disposta a questionar e, principalmente, quebrar. Como um suspiro de esperança nessa luta, deixo aqui uma lista de sete mulheres totalmente diferentes uma da outra, em idade, país e produção literária, que exemplificam o quanto a produção feminina é rica, representativa e atual.

Alice Munro

Nascida no Canadá em 1931, Alice Munro é considerada uma das principais escritoras da atualidade em língua inglesa. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2013, primeira vez em que o prêmio agraciou um escritor especializado em contos. Segundo o comitê da premiação, Munro é “mestre da narrativa breve contemporânea” e “aclamada por sua narrativa afinada, que é caracterizada pela clareza e pelo realismo psicológico”. Seus contos são centrados nas fraquezas da condição humana, abordando frequentemente temas como a morte e a doença para tratar da fragilidade da vida.

Chimamanda Ngozi Adichie

Se você não ouviu falar dessa mulher, talvez tenha vivido debaixo de uma pedra nos últimos anos. Nascida na Nigéria, em 1977, Chimamanda é uma jovem autora que está sendo muito bem sucedida em atrair uma nova geração de leitores para a literatura africana. Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e já recebeu diversos prêmios, entre eles o Orange Prize e o National Book Critics Circle Award. Suas falas, sejam de ficção ou de ensaio, pautam as diferentes realidades do imenso e maltratado continente africano, o processo de aculturação e seus efeitos, a situação da mulher e o perigo das histórias únicas.

Elena Ferrante

Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana que optou por manter em segredo a sua identidade, embora o jornalista Claudio Gatti tenha publicado uma reportagem investigativa alegando que a misteriosa escritora é a tradutora Anita Raja. Independentemente de ter sido descoberta ou não, Ferrante alegou, antes mesmo da  publicação de seu primeiro livro: “eu acredito que os livros, uma vez que tenham sido escritos, não tenham qualquer necessidade de seus autores. Se eles têm algo a dizer, vão encontrar cedo ou tarde seus leitores”. Suas obras usam de personagens femininas complexas e cheias de nuances para desenvolver temas como identidade, maternidade, casamento e amizade.

Isabel Allende

Filha de diplomata, Isabel nasceu em 1942 no Peru, mas tem nacionalidade, alma e obra chilenas. É considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 80, fazendo parte do movimento literário do realismo mágico. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).

Marjane Satrapi

(AFP PHOTO / TIZIANA FABI)

Marjane nasceu no Irã, em 1969, e atualmente vive em Paris. Estudou no liceu francês de Teerã, onde passou a infância, e teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda. Aos catorze anos, partiu para o exílio na Áustria, e depois retornou ao Irã a fim de estudar belas-artes. Ilustradora, diretora e escritora infanto-juvenil, foi a primeira iraniana a escrever história em quadrinhos. Sua obra mais famosa é Persepolis, sua autobiografia em graphic novel.

Socorro Acioli

Foto: Igor de Melo
Jornalista brasileira (e cearense!), Socorro foi bolsista da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique e aluna de ninguém menos que Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel, na oficina Como Contar um Conto, em Cuba. Escreveu diversos livros, entre eles Ela tem olhos de céu, que recebeu o prêmio Jabuti de literatura infantil em 2013, e o promissor A Cabeça do Santo, considerado um dos melhores livros para adolescentes em 2016 pela Biblioteca Pública de Nova York.

Ursula K. Le Guin

(Foto por Dan Tuffs/Getty Images)

Essa simpática senhora nascida em 1929 nos Estados Unidos é considerada uma das melhores autoras vivas do gênero fantasia e ficção científica. Recebeu cinco prêmios Hugo, seis prêmios Nebula e nove prêmios Locus, mais do que qualquer outro autor. Em 2014, recebeu o National Book Foundation Medal for Distinguished Contribution to American Letters, um prêmio de carreira atribuído anualmente pela National Book Foundation. Autora do Ciclo de Terramar, composto por cinco volumes — O Feiticeiro e a Sombra (1968), Os Túmulos de Atuan (1971), A Praia mais Longínqua (1972), Tehanu, o Nome da Estrela (1990) e Num Vento Diferente (2001) — e do romance A Mão Esquerda da Escuridão, Ursula explora em suas obras aspectos de taoísmo, anarquismo, etnografia, feminismo, psicologia e sociologia.

 

Se você chegou aqui, então percebeu que para mim contemporâneo só quer dizer em atividade. Dos 20 aos 80, do Brasil ao Irã, dos contos aos quadrinhos, o que interessa é que, não importa o que o mercado diga, certamente há uma mulher escrevendo algo que você gostaria de ler.

[x] Esse post faz parte da programação especial de março do Coadjuvando com o projeto Mulheres para Ler. Confira aqui a primeira lista especial com 7 autoras clássicas para não ter medo de ler, aqui uma seleção de 6 autoras de arrepiar os cabelos da nuca e aqui você conhece 6 autoras de não ficção.

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