listas livros

6 autoras da vida real

Olhe para a sua estante. Quantos romances habitam suas prateleiras? Quantas coletâneas de contos? Quantas narrativas fantásticas de dragões, cavaleiros, alienígenas, bruxas, lobisomens, vampiros? Quantas mentiras moram nos seus livros?

Talvez seja graças à minha formação jornalística, mas descobri em mim um grande fascínio por livros de não ficção. Longe de mim desmerecer o trabalho dos ficcionistas, mas há um desafio extra quando se precisa contar uma história sendo fiel ao que se passou na realidade ao mesmo tempo em que entretém o leitor. A construção narrativa só pode se valer da criatividade na forma de contar, já que a invenção de um ato ou outro seria antiético, falso e, acima de tudo, errado. Por isso, hoje selecionei seis autoras da vida real cujo trabalho admiro e algumas em que me espelho.

Svetlana Aleksiévitch

Jornalista e escritora, Svetlana nasceu na Ucrânia, em 1948, mas cresceu na Bielorrúsia. Venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 2015 “pela sua escrita polifônica, monumento ao sofrimento e à coragem na nossa época”. Sua obra é aborda episódios marcantes do regime soviético com uma perspectiva de crônica pessoal da história dos homens e mulheres que viveram essa época, a quem entrevistou para as suas narrativas durante os momentos mais dramáticos da história do seu país, como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Afeganistão, a queda da União Soviética e o desastre de Chernobyl. Dotada de uma escrita digna da tradição da literatura em língua russa e do olhar sensível e acurado do bom jornalismo, Svetlana tem três livros publicados no Brasil: Vozes de Tchernóbil, A Guerra Não Tem Rosto de Mulher e O Fim do Homem Soviético.

Xinran

Jornalista, radialista e escritora chinesa, Xinran mudou-se para Londres em 1997 quando percebeu a impossibilidade de publicar seus relatos em seu país de origem. Suas obras dividem-se em não-ficção (O que os Chineses não Comem, Mensagem De Uma Mãe Chinesa Desconhecida, Testemunhas da China) e romances inspirados nos relatos colhidos em sua carreira jornalística, como As Filhas Sem Nome. Seu livro mais famoso é As Boas Mulheres da China, um panorama sobre a condição feminina da China revolucionária, suas consequências e da China atual.

Malala Yousafzai

Ativista paquistanesa nascida em 1997, Malala foi a pessoa mais nova a ser agraciada com um prêmio Nobel da Paz. É conhecida principalmente pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação na sua região natal, o vale do Swat no nordeste do Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Em outubro de 2012, a mando do grupo, foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Escreveu Eu Sou Malala em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, livro que acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto, as trevas da vida sob o Talibã, a luta pelo direito à educação feminina e os obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que prefere os filhos homens.

Anne Frank

Anne Frank foi uma menina judia que, durante a Segunda Guerra Mundial, teve que se esconder para escapar dos nazistas. Com outras sete pessoas, viveu nos cômodos ocultos de um edifício comercial, o Anexo Secreto em Amsterdam. Depois de pouco mais de dois anos escondidos, o grupo é descoberto e enviado para campos de concentração. O pai de Anne, Otto Frank, é o único a sobreviver. Quando retorna aos Países Baixos, Otto descobre que o diário que a filha mantinha fora preservado por uma das pessoas que os ajudavam a se esconder. Lançado em 1947, O Diário de Anne Frank tornou-se um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante da adolescente apaixonada por cinema trancafiada no sótão para fugir de um massacre deu rosto e voz a uma tragédia que costumamos despersonalizar.

Eliane Brum

Jornalista, escritora e documentarista brasileira, Eliane já venceu mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. Repórter dos desacontecimentos, como ela mesma se denomina, a gaúcha tem um jeito peculiar de fazer jornalismo por sentir uma fascinação encantadora pelo ordinário, pelo cotidiano, pelo que passa batido todos os dias, pel’A Vida que Ninguém Vê. É autora de seis livros, dos quais cinco são de não ficção (Coluna Prestes: o avesso da lenda, A Vida Que Ninguém Vê, O Olho da Rua – uma repórter em busca da literatura da vida real, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e Dignidade).

Lisa Rogak

Jornalista independente americana, Lisa Rogak já escreveu mais de 40 livros sobre os mais variados temas, entre eles as biografias de Dan Brown e Stephen King, os cães que trabalham no exército norte-americano, livros sobre culinária e turismo. Editou também diversas obras com os pensamentos e ideias de nomes como Bill Gates, Barack e Michelle Obama, Hillary Clinton e o Papa Francisco.

 

Você conhece outras autoras de não ficção? Jornalistas, memorialistas, biógrafas? Comenta aqui para conhecermos novos nomes!

[x] Esse post faz parte da programação especial de março do Coadjuvando com o projeto Mulheres para Ler. Confira aqui a primeira lista especial com 7 autoras clássicas para não ter medo de ler e aqui uma seleção de 6 autoras de arrepiar os cabelos da nuca.

4 thoughts on “6 autoras da vida real”

  1. Que lista massa! O gênero da vida real e o meu preferido. Outras autoras de quem gosto bastante desse gênero são a Mary del Priore e a Elizabeth Gilbert. Infelizmente, poucas biografias são escritas por mulheres…

Deixe uma resposta