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Troféu Literário 2016: Os melhores e piores

Assim como no ano passado, resolvi recapitular as minhas leituras de 2016 através das categorias da retrospectiva do Troféu Literário, criado pela Nádia e pela Karina. Vão ser cinco posts lembrando os livros favoritos, os personagens queridos, as sensações causadas, as surpresas, as decepções e até as metas para 2017. Na última segunda-feira de 2016 (AÊÊ!), vou bater o martelo sobre os melhores e os piores!

O melhor livro: “O Sol é para Todos”, Harper Lee

Como disse na minha indicação de livros para presentear, o prêmio Pulitzer não caiu do céu no colo de Harper Lee: sua escrita não foi volumosa, mas sim prodigiosa. “O Sol é para Todos” é uma obra-prima, um clássico que consegue ser ao mesmo tempo delicado, graças à perspectiva da inocente narradora Scout, quanto estarrecedor, por conta da densa, difícil e ainda tão atual temática do racismo. É um livro que ensina sem ser moralista nem utópico, fora de órbita e da realidade. Merece ser lido e relido.

O pior livro: “Trono de Diamante”, David Eddings

R$50 jogados no lixo. Esse livro tem uma premissa muito boa, tem os elementos “indispensáveis” de fantasia medieval (cavaleiros, magia, disputa por poder, monarquia ameaçada), brinca com uma ideia bem interessante que mistura o místico e a religião… mas é extremamente mal executado. A narrativa é truncada, os problemas se resolvem muito facilmente, os personagens são mal construídos… uma grande decepção.

O livro com a melhor capa: “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, Lionel Shriver

Paguei mais caro para ter a edição anterior ao lançamento do filme porque detesto capas com promoções cinematográficas. Essa especificamente traz uma criança com uma máscara assustadora; não é uma cena do livro, mas introduz logo à primeira vista a monstruosidade desse garoto. A leitura já começa do pânico na capa! É sensacional e sensorial.

O livro com a pior capa: “O Feiticeiro de Terramar”, Ursula K. Le Guin

Não me levem a mal, a arte da capa da edição lançada pela Arqueiro em 2016 é belíssima! O problema é que ela me deu a impressão de que o dragão retratado seria o maior desafio do feiticeiro ou um mestre que ele deveria buscar, algo mais próximo ao clímax do livro. No fim das contas, é uma única cena, que nem é a mais relevante da trama. Talvez eu tenha criado expectativas demais, mas a capa contribuiu para a minha frustração.

O livro que rendeu a melhor adaptação cinematográfica: “Quatro Estações”, Stephen King

Dos quatro contos que integram essa coletânea, três foram adaptados para o cinema: “Um Sonho de Liberdade”, “Conta Comigo” e “O Aprendiz”. Ainda não vi esse último, mas os dois primeiros são verdadeiros clássicos para mim.

O título mais genial: “Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, Philip K. Dick

Amo títulos-frases! Esse parece que conversa com o leitor e o convida a conhecer a história que guarda. Você passa o livro pensando no que a pergunta quer dizer e, mesmo sem nunca ter sido pronunciada na narrativa em si, ela permeia toda a trama.

O título mais nada a ver: “Das Paredes, Meu Amor, os Escravos nos Contemplam”, Marcelo Ferroni

Mais um da série “Nunca tinha ouvido falar, mas comprei só pelo título”. O livro é um suspense de crime do quarto fechado e, com esse título, fiquei imaginando que o casarão em que o assassinato acontece, uma herança do período escravocrata, teria uma certa relevância para a trama, algo como uma casa assombrada. Nah! Que nada! O título atraente te faz comprar pelo impulso, mas a trama não corresponde e o nome do livro acaba sendo a melhor parte dele.

O melhor enredo: “It, a Coisa”, Stephen King

Fazer um leitor, mesmo um leitor experiente, devorar um livro de mais de mil páginas não é para qualquer um. It consegue nos prender para acompanhar uma trama que se passa, dentro da narrativa, em duas épocas diferentes e com sete protagonistas. É um trabalho gigantesco para o escritor conseguir coordenar tudo isso e a execução desse roteiro é espetacular. Para quem não é acostumado ao estilo King de ser, é provável que se irrite um pouco com a prolixidade do autor, mas é exatamente isso que me encanta nele, porque é na verborragia que eu mergulho no universo que ele apresenta.

O pior enredo: “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, Ransom Riggs

A parte mais estimulante desse livro são as fotografias macabras que o ilustram e inspiraram a sua criação. Mas é justamente isso que faz parecer com que o enredo seja uma colcha de retalhos: os personagens e os fatos só estão ali porque havia uma foto assustadora que precisava ser inserida. O texto precisou se adequar às imagens e não o contrário, o que enfraqueceu demais a linha narrativa. Além de inserções de envolvimentos românticos muito desnecessários: não é porque o livro se enquadra em Young Adult que o autor precisa forçar goela abaixo um casal.

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