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Um livro é o melhor presente: dicas literárias para o Natal

Falta menos de uma semana para o Natal. Os shoppings já estenderam o horário de funcionamento, os melhores panetones já estão esgotados, a padaria da esquina já não faz mais reserva para cozinhar peru, o Instagram já está cheio de fotos das “confras das firmas”. Da mesma forma, seu tio chato ainda não sabe se é pavê ou pacumê e você ainda não faz a menor ideia do que comprar para o seu Amigo Secreto. Como para mim um livro sempre vai ser o melhor presente, fiz uma lista com dicas baseadas nas leituras que fiz no ano que passou.

Mãe: “Um Teto Todo Seu”, Virginia Woolf

Mesmo sem conhecer formalmente o feminismo, minha mãe sempre me ensinou que homem nenhum poderia ser senhor de mim. A mulher da minha vida sou eu; a única pessoa com quem sempre poderei contar em qualquer circunstância e que sempre estará ao meu lado sou eu mesma. Independência financeira, autoconfiança, coragem para enfrentar a vida: ainda que eu não tenha aprendido muito bem, tudo isso ela me ensinou. “Um Teto Todo Seu” é um ensaio relativamente curto em que Virginia Woolf começa discutindo o papel da mulher na literatura, principalmente na perspectiva da produção literária, mas acaba nos levando a pensar na inserção feminina em outros contextos.

Pai: “O Sol é para Todos” + “Vá, Coloque um Vigia”, Harper Lee

O Pulitzer não caiu do céu no colo de Harper Lee: sua escrita não foi volumosa, mas sim prodigiosa. “O Sol é para Todos” é uma obra-prima, um clássico que consegue ser ao mesmo tempo delicado, graças à perspectiva da inocente narradora Scout, quanto estarrecedor, por conta da densa, difícil e ainda tão atual temática do racismo. A relação pai e filha desses dois livros é uma das mais queridas ao meu coração.

Irmão mais novo: “O Oceano no Fim do Caminho”, Neil Gaiman

“O Oceano no Fim do Caminho” é a melhor ode à infância que já li. Doce, suave, cômico e, claro, cheio de fantasia e alguns mistérios. Curtinho e de narrativa fluida, pode ser lido em um dia por leitores mais experientes e ser a porta de entrada para esse delicioso universo da leitura para marinheiros de primeira viagem.

Melhor amigo ou amiga: “It, a Coisa”, Stephen King

“It, a Coisa” assusta de primeira porque é um senhor calhamaço de mais de mil páginas. Assusta também de segunda porque é considerado o melhor livro de terror de ninguém menos que Stephen King, o mestre do terror contemporâneo. O que ninguém te avisa antes de iniciar essa leitura é que, imbricada nessa trama de enfrentamento dos maiores medos, está uma das melhores construções de amizade de que tenho conhecimento.

Namorado ou namorada: “A Guerra do Velho”, John Scalzi

Por que dar um livro de ficção científica militarista para o seu amor? O que isso tem de romântico? Em seu aniversário de 75 anos, John Perry visita o túmulo da esposa e, em seguida, se alista nas Forças Coloniais de Defesa para combater e ajudar na colonização de outros planetas. Em uma narrativa repleta de ironia e bom humor, Scalzi consegue trabalhar a relação entre juventude e velhice de uma forma que não consegue se desvincular uma da outra. Nesse caldo, alguns dos pontos mais fortes para o leitor perpassam por aquilo e aqueles que permanecem e aquilo e aqueles que vão embora, não exaltando a permanência como objetivo máximo em um relacionamento, mas o que uma pessoa pode fazer pela outra, independentemente de se conhecerem ou estarem juntas há duas horas ou duas décadas.

Amigo secreto: “A Cabeça do Santo”, Socorro Acioli

Quando não se sabe muita coisa a respeito de quem se vai presentear, a escolha se torna ainda mais difícil e impessoal. Como agradar sem conhecer? “A Cabeça do Santo” é um ótimo bote salva vidas. Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz parte para a pequena Candeia, uma cidade quase fantasma por conta de um mau agouro que se torna abrigo do recém-chegado: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça: são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor. Toques de realismo fantástico com misticismo em uma narrativa nada menos do que primorosa e envolvente: se eu fosse arriscar, levava esse daqui.

[x] Se você quiser saber todos os livros que li em 2016, é só clicar aqui.

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